quinta-feira, 30 de junho de 2011

Labirinto aquático

Lilya Corneli
Nunca (me)
encontro à
saída do teu
olhar.

Sandra Baldessin

quarta-feira, 29 de junho de 2011

só mar

tenho o peso dos náufragos
olhos vermelhos
garganta seca
pele queimada
nem ilha nem
continente
[ ...só mar
o abismo à minha espera
e meus braços colados
à tábua rasa em que flutuo.

Nydia Bonetti

terça-feira, 28 de junho de 2011

Uma didática da invenção

Martha Barros
VII

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá
onde a criança diz: Eu escuto a voz dos
passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um
verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz
de fazer nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

Manoel de Barros, in: Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século. Org. Italo Moriconi. Ed. Objetiva

O amor o que é?

Olho ou boca? O que é o amor? Não é um saxofone. Não é uma espiga de milho, o amor. Não é azul nem ocre. Pâncreas ou fígado? O amor o que é?

*

O amor o que é? Nariz ou umbigo? O que é o amor? Não é um estetoscópio? Não é um pé de alface, o amor. Não é lilás nem amarelo. Rim ou esôfago? O amor o que é? O que é esse fantasma?

*

O amor o que é? Tornozelo ou orelha? O que é o amor? Não é um dicionário. Não é uma alcachofra, o amor. Não é verde nem furta-cor. Traqueia ou coração? O amor o que é? O que é esse vampiro?

*

O amor o que é? Cotovelo ou unha? O que é o amor? Não é um ralador de queijo. Não é uma beterraba, o amor. Não é verde nem furta-cor. Estômago ou pulmão? O amor o que é?

*

O amor o que é? Ombro ou nádega? O que é o amor? Não é uma geladeira. Não é um prato de lentilhas, o amor. Não é cinza nem vermelho. Sistema nervoso ou língua? O amor o que é? O que é esse dinossauro?

Nelson de Oliveira, do conto: Sonos Leves, in: Capitu Mandou Flores. Ed. Geração Editorial

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Movimento

Foi quando começou a não se importar tanto de sentir tanto medo, que ouviu o convite, ainda tímido, quase sussurro, do próprio coração, esse sabedor do que, de verdade, importa:

"Volta, com medo e tudo."
Foi.

E começou a redescobrir que coragem, na maioria das vezes, é apenas voltar para o próprio coração. É apenas calar a ausência devastadora e infértil dele. É apenas sair do lugar para um ponto um pouquinho mais espaçoso e espalhador de sementes. É apenas seguir. Com medo e tudo.

Ana Jácomo

domingo, 26 de junho de 2011

A viagem na cabeça

Do meu quarto andar sobre o infinito, no plausível íntimo da tarde que acontece, à janela para o começo das estrelas, meus sonhos vão por acordo de ritmo com a distância exposta para as viagens aos países incógnitos, ou suspostos, ou somente impossíveis.

Fernando Pessoa, in: O Livro do Desassossego. Ed. Companhia das Letras

... aquietava-se durante o resto da tarde, vaga, nevoenta, distante, levemente cansada...

[...] Havia dias assim, em que ela compreendia tão bem e via tanto que terminava numa embriaguez suave e tonta, quase ansiosa, como se suas percepções sem pensamentos arrastassem-na em brilhante e doce turbilhão para onde, para onde.

Clarice Lispector, in: O Lustre. Ed. Francisco Alves

quinta-feira, 23 de junho de 2011

.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças
Bateu a porta.
Olhando para a cama desfeita, não sabia se ele tinha mesmo existido; se nós tínhamos mesmo vivido alguma coisa juntos. Só sabia que no mesmo instante, naquele bairro quente, ele conhecia o esquecimento - ele se adaptava ao esquecimento.

Quanto tempo já passou sobre a nossa história? E quanto mais vai ter que passar até que nos esqueçamos; até que a lembrança vire dúvida; até que a dúvida vire esquecimento?

A paixão vem e a compreendemos. Se vai e não a compreendemos mais. Não somos capazes de lidar com as lembranças e então nos esforçamos para esquecer. E o tempo, este trator, vai nos aniquilar. E eu voltarei a ser eu. Assim, impunemente.

Só sei que neste instante me entristeço por você. E penso que tudo o que acaba pode começar novamente - de forma diferente ou da mesma forma. Só sei que neste instante você

ainda

me

faz

ter

vontade

de

amar.

Daniela Lima

terça-feira, 21 de junho de 2011

"é pra você que escrevo..."

Lavoura Arcaica
(149.) Não apareça assim na minha memória, Ana, não me apareça concentrada na imagem dos seus olhos! Esses seus olhos que falam mais do que a boca, pois não falam nada, assim como seu corpo. Por isso que há o beijo? o beijo transforma em simples coincidência a homofonia entre língua e Língua? Sei de tudo, Ana - exceto o que é a vida, o que é a morte, o que sou, o que de você me estrangula as certezas e me torna exato leitor do texto de meus sonhos.

Wesley Peres, in: Casa entre Vértebras. Ed. Record

segunda-feira, 20 de junho de 2011

2.5

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas.

Manoel de Barros, in: O Livro das Ignorãças. Ed. Record

música de manivela

Sente-se diante da vitrola
E esqueça-se das vicissitudes da vida
Na dura labuta de todos os dias
Não deve ninguém que se preze
Descuidar dos prazeres da alma

Discos a todos os preços

Oswald de Andrade, in: Pau Brasil. Ed. Globo

quinta-feira, 16 de junho de 2011

saudade

Amanda Cass
abraço a tua ausência
ela preenche meus braços
chego a sentir o teu cheiro
eu beijo o ar

e desfaço-me.

Líria Porto

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Despedidas

Katia Chausheva
Tudo o que sobrevive a sua partida me dói. Doem as pernas, a carne, os ossos; dói o sol, que insiste em acariciar a minha pele, e iluminar, iluminar, iluminar; doem os dias e as horas e as horas mortas dos dias, que são quase todas; doem os carros que atravessam o sinal verde e me dão sustos que me levam ao chão. Celular, chaves, livro e bolsa espalhados. Eu espalhada. O asfalto de janeiro. O asfalto banhado por uma água insistente. É que essa chuva; é que essa vida; é que essa eu. E essas folhas que se movimentam lentamente e brotam; e essas árvores que estão florindo; e toda essa inútil beleza.

Não pára de chover e: a cidade enche; as ruas enchem; e eu agarrada as suas palavras, como um náufrago,
que
não
acredita
em
terra firme,
resisto.

Daniela Lima

Fácil coração

Vânia Medeiros
Sentia-se como se estivesse dentro daquele poema de Drummond: João que amava Maria que amava Pedro...
Tinha um coração vadio e inquieto.
Por isso amava João, Pedro, Joaquim e até Alberto que, engatado nela feito cachorro no cio, não a amava nem um pouco.

Gustavo Rios, in: O Amor é Uma Coisa Feia. 7 Letras

[...] o tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo, também se pode bordar nada. Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro.

Machado de Assis, in: Esaú e Jacó. Ed. Ática

terça-feira, 14 de junho de 2011

"A sua visão me faz bem! Quando ela abre os olhos, meu corpo rejuvenesce, quando ela fala, eu me sinto forte; Abraçá-la expulsa meus males..."

Katia Chausheva
(150.) Ana, sua ausência agora e minhas palavras em torno dela. Não se trata de um consolo, Ana, a ausência é coisa sólida demais. Minhas palavras em torno de sua ausência são um modo de incorporar a definitiva presença do outro, da outra, da mulher que não há, porque nunca houve e nunca haverá, a mulher que faça cessar minha procura. Penso mesmo, Ana, que minhas palavras instauram sua ausência, a indestrutibilidade de sua ausência, e também a sua presença.

É assim, Ana, que a minha melancolia se faz carta, e o seu corpo pontua o que falo.

Wesley Peres, in: Casa entre Vértebras. Ed. Record
bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome era nome era...
Perdeu-se na carne fria
perdeu-se na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
constelações de alfabeto
noites escritas a giz
pastilhas de aniversário
domingos de futebol
enterros corsos comícios
roleta bilhar baralho.
[...]

Ferreira Gullar, in: Fragmento de Poema Sujo / Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século. Org. Italo Moriconi. Ed. Objetiva

segunda-feira, 13 de junho de 2011

hoje é dia de Pessoa

Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes animam, as artes vivas (como a dança e o representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.

Não é esse o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Fernando Pessoa, in: O Livro do Desassossego. Ed. Companhia das Letras
A ladeira leva ao moinho, mas o esforço não leva a nada.

Era uma tarde de primeiro outono, quando o céu tem um calor frio morto, e há nuvens que abafam a luz em cobertores de lentidão.

Duas coisas só meu deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar.

Fernando Pessoa, in: O Livro do Desassossego. Ed. Companhia das Letras

domingo, 12 de junho de 2011

Memória (ou o parente mais próximo)

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

O importante é o trajeto: as cores, os corações e as memórias. As memórias ignoram o sinal aberto, o trânsito e a chuva; cruzam a cidade para dormir ao meu lado, enquanto você é “feliz Natal” do outro lado da linha. Dentro do meu apartamento, as memórias tomam corpo: são as pernas que se confundem com as minhas, as mãos que agarram os meus cabelos e a boca que redime o meu passado. Mas,

pela manhã,

tudo vira bilhete sobre a mesa de cabeceira: não

existe

final

feliz.

Daniela Lima
Um Beijo Roubado

Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.

Caio Fernando Abreu, in: Morangos Mofados. Ed. Companhia das Letras

... então eu quero que você venha para deitar comigo no meu quarto novo, para ver minha paisagem além da janela, que agora é outra, para ...

Kurt Halsey Frederiksen

Quero inaugurar meu novo estar-dentro-de-mim ao teu lado...

Caio Fernando Abreu, in: O Essencial da Década de 70. Ed. Agir

Devia ser proibido

Devia ser proibido
uma saudade tão má
de uma pessoa tão boa
falar, gritar, reclamar
se a nossa voz não ecoa
dizer não vou mais voltar
sumir pelo mundo afora
alguém com tudo pra dar
tirar o seu corpo fora
devia ser proibido estar
do lado de cá
enquanto a lembrança voa
reviver, ter que lembrar
e calar por mais que doa
chorar, não mais respirar (ar)
dizer adeus, ir embora
você partir e ficar
pra outra vida, outra hora
devia ser proibido...

Alice Ruiz, in: Poesia pra Tocar no Rádio. Ed. Blocos

sexta-feira, 10 de junho de 2011

— Que é a saudade senão uma ironia do tempo e da fortuna? Veja lá...

Lilya Corneli
começo a ficar sentencioso. Trinta anos; mas em verdade, não os parecia. Lembra-se bem que era magra e alta; tinha os olhos como eu então dizia, que pareciam cortados da capa da última noite, mas apesar de noturnos, sem mistérios nem abismos. A voz era brandíssima, um tanto apaulistada, a boca larga, e os dentes, quando ela simplesmente falava, davam-lhe à boca um ar de riso. Ria também, e foram os risos dela, de parceria com os olhos, que me doeram muito durante certo tempo.

Machado de Assis, in: do conto A Desejada das Gentes

a arte de transver o mundo

Martha Barros

O olho vê, a lembrança revê e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.

Manoel de Barros

quinta-feira, 9 de junho de 2011

s i l ê n c i o


(79.) O som dos objetos. Tenho certo receio, tenho muito receio de quando som e sentido não se desgrudam, não se desgrudam do mesmo modo que palavra e silêncio. Uma narrativa é, num enclave presente, engavetar o tempo. O tempo do homem é palavrar. Em parte, é outra coisa; em parte, o tempo do homem é o-que-não-se-diz.

Wesley Peres, in: Casa entre Vértebras. Ed. Record

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Todo poeta é um perdedor

Claire Streetart
Quando a vi pela primeira vez, tive vontade de escrever-lhe um longo poema que falasse de amor. Nada entendia de metáforas. Busquei algumas belas palavras no dicionário e coloquei no papel meus mais sinceros sentimentos.

Na sexta-feira a vi passando na rua. Entreguei-lhe o "tal" papel com meu "poema". Exultante com minha coragem. Ela passou o olho e sorriu com candura. Deu-me um beijo no rosto e se foi.

Um pouco mais tarde eu voltava para casa, deslumbrado com esse novo sentimento. No caminho havia um muro. Do outro lado desse muro - era alto e dava para um matagal - ouvi alguns gemidos. Subi com cautela para ver o que era, movido por minha curiosidade. Ela estava de joelhos, enquanto um cara gemia e gozava dentro de sua boca.

Passei o resto da noite pensando o que havia de errado com meu longo e sincero poema de amor.

Gustavo Rios, in: O Amor é Uma Coisa Feia. 7 Letras

terça-feira, 7 de junho de 2011


[...] para abrandar meu sofrimento, peguei uma das rosquinhas e a fui mastigando com vagar, porque, como disse Santo Ernulfo, "Se a vida não é doce, come doces".

José Roberto Torero & Marcus Aurelius Pimenta, in: Terra Papagalli. Ed. Objetiva

PEITO-PARELHA 2. Na pré-valsa, um tango cambaio.

Serenade for the Doll
minha querida solidão,
não fomente a vingança,
em tua andrógena ciumeira,
por, em noite tão formosa,
eu vestir-me tão faceira
pra entregar-me, carne e alma,
pro primeiro que passasse.

não se valia desse orgulho,
pra punir minha pungência
nessa hora em que meu pulso
impotente em seu fremido,
já bambeia em teus redores,
colossais, desertos, tíbios
aumentando meus abismos.

me compreenda no silêncio,
me guarneça em tua paisagem,
liquefaça-se em meu ventre,

eu, que tanto já fui água,
e conservo hoje, no peito,
uma dor, assim, tão

solidinha.

Raiça Bomfim

domingo, 5 de junho de 2011

Lazur

Fazia decalques de nuvem em beira d'agua. Bordando o que passa no que dilui. Se a barra da roupa branca deita nos vestígios de areia é por trazer a solidez das solidões das ruínas em pé-de-vento. Quantos restos a mantêm de pé?
Conta a idade do universo em fios de cabelos enquanto enumera o que possui: um corredor de águas vivas. Três sonhos com cavalos marinhos. Doze réstias de sol formigando no mar.

Um pedido-eco amarrado em fita vermelho-bonfim-urgente. Uma fé retorcida em figa. Uma alma ingiada de esperas.

O que ela não possui é esse sentimento pelicano no peito. Estende os braços para receber das ondas só o movimento dos ventos no subterrâneo das águas. Equiparar pulsar com pulsar. Na superfície dos olhos venta uma paz cor de desassossego. Tem areia do deserto assentada na íris desde quando. E um relógio de sol dilatado em suas pupilas, é quase certo que sua hora há de chegar. Por iluminâncias.

Cecília Braga

sábado, 4 de junho de 2011

os verdadeiros sentimentos adormecem na rotina e:

[...] Não sei como explicar a aparente falta de contornos entre os dias: véu negro trocando incessantemente de lugar com essa poça de luz. E o meu corpo acompanhando as mudanças com sorriso e entusiasmo de criança; e farfalhar de lágrimas.

Daniela Lima

* texto completo aqui.

Além alma (uma grama depois)

Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.

Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?

Mais me parece um relógio
que acaba de enlouquecer.

Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?

Paulo Leminski, in: Distraídos Venceremos. Ed. Brasiliense
Nonnetta
[...] O amor é insaciável. Quanto mais obtém mais quer. Diferente da amizade que não aposta alto e se contenta em proteger o que obteve em vida. A amizade larga a roleta ao empenhar um único lance. O amor não. O amor se endivida até pedir falência. O amor tem uma fome obscena, pois devora a própria memória se necessário, devora a própria imaginação se preciso.

Fabrício Carpinejar, in: O Amor Esquece de Começar. Ed. Bertrand Brasil

quinta-feira, 2 de junho de 2011

da série Capitu
Na verdade, Capitu ia crescendo às carreiras, as formas arredondavam-se e avigoravam-se com grande intensidade; moralmente a mesma coisa. Era mulher por dentro e por fora, mulher à esquerda e à direita, mulher por todos os lados, e desde os pés até á cabeça. [...] os olhos pareciam ter outra reflexão, e a boca outro império.

Machado de Assis, in: Dom Casmurro. Ed. Avenida Gráfica


Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte que o poder do lugar. Viver é muito perigoso...

João Guimarães Rosa, in: Grande Sertão: veredas. Ed. Nova Fronteira

quarta-feira, 1 de junho de 2011

horizonte

O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte - Os beijos merecidos da verdade.

Fernando Pessoa, in: Mensagem. Ed. Nova Fronteira