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quarta-feira, 20 de abril de 2011

ausente

A poesia dorme.
Nem pesadelo nem doce sonho.
Bateu um vento
bem no meio de um porquê.
Petrifiquei bem aí.
Não teve um fator paralisante.
Só um não ter para onde ir.

Ninguém me acalma
ou preocupa nesse instante.
Nem é o nada quem me abraça,
ele não faria tanto por mim.
É só um não sentir.
Guardei tudo o que não consigo lidar em caixas e estoquei.
Estou bem no meio de um grande armazém.
O motivo pediu conta e foi surfar no Havaí.
Ingredientes, lenha e fogão
está tudo aqui.
Só não há fome.

Roberta Silva

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Confesso

nem tudo que disse foi acerto,
que não reconheço quase nada como erro,
que volto atrás em promessas sérias,
que muitos chutes foram trave,
que trave, para mim, é um quase acerto,
o limite do engano... e isso é grave.

que era eu ao telefone
porque tem dias, poucos, que um alô é muito
e o muito, muitas vezes me cala.

confesso
quis também um silêncio salmoura
que me reconhecesse antes mesmo de ser alô
e também se calasse
que dissesse sei que foi você,
porque só seu silêncio me dói
e isso bastasse.

Roberta Silva

Inconcordante

Meus olhos chorou.
Neles lágrimas para um só.
Alma plural, verbo singular.
O outro jaz.
Perdão, foi o melhor que pude.
A dor cavou,
mas não encheu o açude.

Roberta Silva

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Amor de novo

Alone Gut

lá vamos nós!

prontos pra mergulhar

no velho poço.

Roberta Silva