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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"... não importa mais o que foi perdido".

[...] Tinha uma timidez infantil, uma boca que ria e olhos que falavam; não era bonita nem feia. Às vezes parecia cheia de vida, às vezes se encolhia numa tristeza de irmã-cisne, ele pensava sem lembrar porquê. Talvez porque fosse escondendo parte do corpo debaixo das asas e enrolando o cabelo na ponta de um dedo, fumando na janela do escritório, soprando a fumaça para fora do apartamento, como se a fumaça fosse trazer alguma coisa de volta. Ela de certa forma esperava.

Cadão Volpato, in: do conto Carioca / Essa história está diferente: dez contos para canções de Chico Buarque. Ed. Companhia das Letras