
Enquanto leio, meus seios estão a descoberto. É difícil concentrar-me ao ver seus bicos. Então, rabisco as folhas deste álbum. Poética quebrada pelo meio. Palavra vendada. Vida sem cura. Tudo o que tira o sono. Passarinho pegando fogo enquanto voa.
Taí. Eu fiz tudo. Contei carneirinhos. Rasguei sombras. Apaguei reticências. Enredei lembranças. Remendei o passado. Soltei o verbo e os cachorros. O que a gente não é capaz de fazer para não perder o resto da esperança?
Uma borboleta gira à minha volta. Treme no meu ombro antes do voo fatal: lembrança do casulo.
Atrás de morro, morro. E é de amor.
Tenho uma janela aberta e límpida à minha espera:
Silvana Guimarães

