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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Lavoura Arcaica
O mundo das paixões é um mundo do desequilíbrio, é contra ele que devemos esticar o arame das nossas cercas, e com as farpas de tantas fiadas tecer um crivo estreito, e sobre este crivo emaranhar uma sebe viva, cerrada e pujante, que divida e proteja a luz calma e clara da nossa casa, que cubra e esconda dos nossos olhos as trevas que ardem do outro lado.

Raduan Nassar, in: Lavoura Arcaica. Ed. Companhia das Letras

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Lavoura Arcaica
[...] Os olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo.

Raduan Nassar, in: Lavoura Arcaica. Ed. Companhia das Letras

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Lavoura Arcaica
O tempo, o tempo é versátil, o tempo faz diabruras, o tempo brincava comigo, o tempo se espreguiçava provocadoramente, era um tempo só de esperas, me guardando na casa velha por dias inteiros; era um tempo também de sobressaltos, me embaralhando ruídos, confundindo minhas antenas, me levando a ouvir claramente acenos imaginários, me despertando com a gravidade de um julgamento mais áspero, eu estou louco! E que saliva mais corrosiva a desse verbo, me lambendo de fantasias desesperadas, compondo máscaras terríveis na minha cara [...]

Raduan Nassar, in: Lavoura Arcaica. Ed. Companhia das Letras

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

[...] eu estava era escuro por dentro, não conseguia sair da carne dos meus sentimentos.

Raduan Nassar, in: Lavoura Arcaica. Ed. Companhia das Letras