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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

a r t e

Isabel de Sá
[...] Obras de arte são de uma solidão infinita, e nada pode passar tão longe de alcançá-las quanto a crítica. Apenas o amor pode compreendê-las, conservá-las e ser justo em relação a elas. Dê razão sempre a si mesmo e a seu sentimento, diante de qualquer discussão, debate e introdução; se o senhor estiver errado, o crescimento natural de sua vida íntima o levará lentamente, com o tempo, a outros conhecimentos. Permita a suas avaliações seguir o desenvolvimento próprio, tranquilo e sem perturbação, algo que, como todo avanço, precisa vir de dentro e não pode ser forçado nem apressado por nada. Tudo está em deixar amadurecer e então dar à luz. Deixar cada impressão, cada semente de um sentimento germinar por completo dentro de si, na escuridão do indizível e do inconsciente, em um ponto inalcançável para o próprio entendimento, e esperar com profunda humildade e paciência a hora do nascimento de uma nova clareza: só isso se chama viver artisticamente, tanto na compreensão quanto na criação.

Não há nenhuma medida de tempo nesse caso, um ano de nada vale, e mesmo dez anos não são nada. Ser artista significa: não calcular nem contar; amadurecer como uma árvore que não apressa a sua seiva e permanece confiante durante as tempestades da primavera, sem o temor de que o verão não possa vir depois. Ele vem apesar de tudo. Mas só chega para os pacientes, para os que estão ali como se a eternidade se encontrasse diantes deles, com toda a amplidão e a serenidade, sem preocupação alguma. Aprendo isto diariamente, aprendo em meio a dores às quais sou grato: a paciência é tudo! [...]

Rainer Maria Rilke, in: Rilke: Cartas a um Jovem Poeta. Tradução de Pedro Sussekind. Ed. L&PM

terça-feira, 29 de março de 2011

O dia rasgou todos os meus sonhos
vem tecer com eles uma guirlanda nova.

Rainer Maria Rilke. Recorte do livro de Lya Luft: Secreta Mirada. Ed. Mandarim

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Brilho de Uma Paixão
Sou apenas o cúmplice da tua solidão.

Rainer Maria Rilke. Recorte do livro de Lya Luft: Secreta Mirada. Ed. Mandarim
Essas antiquíssimas dores
não serão finalmente fecundas em nós?
Será tempo de nos libertarmos,
amando,
da coisa amada...
docemente como quem se desabitua
dos peitos maternos.

Rainer Maria Rilke. Recorte do livro de Lya Luft: Secreta Mirada. Ed. Mandarim
Mas agora que tanta coisa está mudando, não será nossa vez de nos transformarmos também?

Rainer Maria Rilke. Recorte do livro de Lya Luft: Secreta Mirada. Ed. Mandarim

terça-feira, 13 de julho de 2010


E novamente a minha vida canta muito mais alto, como se agora tocasse em margens muito distantes.

Rainer Maria Rilke. Recorte do livro de Lya Luft: Secreta Mirada. Ed. Mandarim

Tudo penetra mais fundo em mim, e não pára no lugar em que costumava terminar antes. Talvez um interior que eu ignorava. Agora tudo vai dar ali. E não sei o que lá acontece.

Rainer Maria Rilke. Recorte do livro de Lya Luft: Secreta Mirada. Ed. Mandarim

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Moro entre o dia e o sonho.
Onde cochilam crianças, quentes da correria.
Onde velhos para a noite sentam
e lareiras iluminam e aquecem o lugar.
Moro entre o dia e o sonho.
Onde tocam claros sinos vesperais
e meninas, perdidas da confusão,
descansam à boca do poço.
E uma tília é minha árvore querida;
e todos os verões que nela se calam
movem outra vez os mil galhos,
e acordam de novo entre o dia e o sonho.

Rainer Maria Rilke

Não deves entender a vida...

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Não deves entender a vida,
seria então como uma festa.
Deixe que cada dia aconteça,
como uma criança que passa
e a cada dor
com muitas pétalas se presenteia.

Juntá-las e guardá-las
para a criança não tem sentido.
Retira-as suavemente dos cabelos,
onde tão facilmente se prenderam,
retoma os jovens e amados anos
de novo em suas mãos.

Rainer Maria Rilke

Saudade

Esta é a saudade: viver no afeto
E não ter morada no tempo
Estes são os desejos: conversa silenciosa
Horas diárias com a eternidade.

Esta é a vida. Até que de um ontem
suba a mais solitária de todas as Horas
Tão sorridente, diferente das irmãs
que se calam eternamente.

Rainer Maria Rilke