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domingo, 13 de maio de 2012

MAIO - I

Katia Chausheva
insi/nua-

te,


sombra que não quer se

projetar


em nenhum muro,

(furo),


válvula do meu sangrar


freático. —

um lençol,


vermelho: tingir,

tanger


este primeiro crime de

deus,


o amor.

Marceli Andresa Becker

sábado, 14 de abril de 2012

BOCAS ATROPELAM FALAS

17 Fois Cécile Cassard
bocas atro / pelam falas: / teu beijo / de língua aci / dentada

Marceli Andresa Becker

sábado, 21 de janeiro de 2012

LXXII

Katia Chausheva
mas acontecia


de uma luz bater

no espelho


da tua ausência.


refletias-te,

vazio.

Marceli Andresa Becker, in: Do Meu Caderno de Experimentações

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

peço-te um beijo

peço-te um beijo
de língua,

aquela em que
existe

papila, palato —
palavra

pra "amor".

Marceli Andresa Becker

domingo, 13 de novembro de 2011

Agosto - III

uma janela entreaberta,

o olhar.

vejo-te.

quero dizer-te que.


teus dedos longos,

pontas da cortina —


vez em quando o vento

se desculpa,


se ajoelha diante

do rosto,

dos cabelos.


tocas a vidraça da minha boca.

Marceli Andresa Becker, in: Do Meu Caderno de Experimentações

sábado, 22 de outubro de 2011

Agosto - II

Francesca Woodman
não é de chuva

a pancada


(que morre)


que escorre no vidro

do teu silêncio —


é um pássaro

louco.


desesperado.

Marceli Andresa Becker, in: Do Meu Caderno de Experimentações

domingo, 11 de setembro de 2011

Agosto - I

Margarida Delgado
respinguei no vidro
da palavra que

fechaste,

da janela que em
tão pouco,

tão perto,

se calou dentro de
ti.


agosto, ainda.
tanta chuva,

(mas nenhuma fresta
nos lábios,

um sopro, que
fosse,

nenhum silêncio
entreaberto

para que à noite meu
nome

adormeça no teu).

respinguei no vidro,

no para-

peito,


o coração logo atrás.

Marceli Andresa Becker, in: Do Meu Caderno de Experimentações

domingo, 21 de agosto de 2011

XLIII

a luz da tua

boca,

o teu canto,

refrata tanto

em

meu corpo

(fratura)


que chego a

pensar:

"tenho ossos de vidro".

Marceli Andresa Becker, in: Do Meu Caderno de Experimentações

quinta-feira, 28 de julho de 2011

XXXVI

Lilya Corneli
não perguntes por que toco o teu rosto
só com a ponta dos dedos.

deixa-me redesenhar as linhas da expressão
que perdeste

quando o sol descarrilhou de ti.

não perguntes por que falo baixo, como se
um ninho

— esta boca em que ainda canta um sem fim
de enxadas e hélices —

respirasse no interior do candeeiro.

és tão próximo, tão nu,

que só sei te amar ao modo de quem limpa
um corpo

a ser velado.

Marceli Andresa Becker, in: Do Meu Caderno de Experimentações

sábado, 2 de julho de 2011

Como se eu mesma passasse adiante da testa

Lilya Corneli
Para Daniel Faria

1

como se eu mesma passasse adiante da testa,

da nudez da pele, como se contra o meu rosto rompesse o último rosto do coração.


2

andas em pé na calçada que dá para a esquina

em que ainda espero

em que ainda paras.

como se tu continuasses em ti.

como se todo este tempo tu fosses a borda de que estou prestes a despencar.

(deixa-te vires, ao menos hoje, livre de costas para virar.)


3

uma distância de mim te arremessa para o meu olho mais fundo.

não tenho braços para te erguer.

não tenho cordas para subires na voz que diz teu nome fora do meu.


4

tarde da noite?

sonho que tu me caminhas ainda.

que tu regressas.


5

que tu me trazes de volta o corpo para que eu possa morrer.

Marceli Andresa Becker

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Teu nome em mim

teu nome em mim
ainda espera uma porta, uma

*

boca, ainda cresce
a tua fala na acústica

*

da flor caída.

*

vê como a casa
dobra de tempo no inverno:

*

há muito venta o teu nome
no pouco aberto desta janela.

Marceli Andresa Becker