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terça-feira, 24 de maio de 2011

24. A vida

Uma folha
é só uma parte da árvore
e não contempla todas as estações
(uma folha é só).

Uma gota de chuva nos vidros
não é mais chuva.
O vidro quando reflete
é espelho.

Eu não enxergo
a vida
tão cor-de-rosa assim.

Fabiana Borgia

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

15. Janelas

A vida abre
caminhos:
existencialismo de Sartre.

Eu me envolvo
com o mundo
e me escondo
(atrás das portas)
até alguém me descobrir.

Quando o silêncio expandir minha voz,
eu estou aqui.

Isso tudo
quando percebo
janelas.

Fabiana Borgia

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

14. Amor por amor

Insônia profunda
quando meus eus explodem
como heterônimos de Fernando Pessoa.
Agora encarno Vinicius
e seu excesso de amor.

Amor por amor.
No Rio de Janeiro,
eu me faço carioca
em estado de espírito.

Insônia insana,
quando meus egos exteriorizam
almas de todos os tipos.

Agora eu assumo Drummond
na minha individualidade solitária
e me faço de Itabira,
que até a tristeza me diverte,
e penso nos sonetos de Camões,
e nas chagas do amor.

No espasmo vem o marasmo,
um truque desconcertante,
e eu escureço na minha palidez,
e transpareço um oceano de lembranças,
mas a morte não clama por mim,
porque a vida me contempla,
em todos os seres me chama
como continuação,
e eu não deixo de existir.

Fabiana Borgia