quinta-feira, 4 de outubro de 2012

"deseo de escribir, de no escribir, de escribir brutalmente, de escribir com dulzura y serenidad [...]" --- 8 poemas traduzidos

Francesca Woodman
18

como um poema inteirado
do silêncio das coisas
você fala para não me ver

20

disse que não sabe do medo da morte do amor
disse que tem medo da morte do amor
disse que o amor é morte é medo
disse que a morte é medo é amor
disse que não sabe

23

um olhar partindo do ralo
pode ser uma visão do mundo

a rebelião consiste em olhar uma rosa
até os olhos se pulverizarem

28

você se afasta dos nomes
que fiam o silêncio das coisas

Francesca Woodman
31

É um fechar os olhos e jurar não abri-los. Enquanto lá
fora se alimentarem de relógios e flores nascidas de astú-
cia. Mas com os olhos fechados e um sofrimento na ver-
dade grande demais a gente sonda os espelhos até que as
palavras esquecidas soam magicamente.

32

Área de pragas onde a adormecida come lentamente
seu coração de meia-noite

34

a pequena viajante
morria explicando sua morte

sábios animais nostálgicos
visitavam seu corpo quente


38

Este canto arrependido, vigia detrás dos meus poemas:
este canto me desmente, me amordaça.

Alejandra Pizarnik, in: Árbol de Diana, 1962. Tradução de Sérgio Alcides. In: Puentes. Poesía argentina y brasileña contemporánea. Selección y ensaio introductorio de Jorge Monteleone. Ed. Fondo de Cultura Económica. Antología bilingue. 

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