sábado, 26 de fevereiro de 2011

[...] e como saber quando o amor acaba?

Haverá um instante, uma linha divisória, uma revelação, um despertador interno que toca, e pronto, acordamos e dizemos, ainda sonolentos, acordamos e dizemos, pronto, acabou. Levantamos, nos vestimos, pegamos a bolsa ou a mala, e saímos. Lá fora, a luz da manhã de um dia qualquer, as pessoas nos ônibus indo trabalhar, as crianças de uniforme, o café com leite das padarias, tudo tão cotidiano, tão normal. Como é possível tudo tão cotidiano, enquanto lá dentro, num apartamento, num quarto, numa cama, lá dentro o amor que acaba de acabar. Ou vai o amor acabando desde o início, desde o primeiro beijo, o primeiro olhar, a intuição de que algo se desgasta, se desfaz. E, por mais beijos e olhares e todas as palavras felizes e tolas que possamos inventar, sempre algo à espreita que nos inquieta. Algo que, no exato instante em que começa, dá início também ao inevitável processo de extinção.

Carola Saavedra, in: Flores Azuis. Ed. Companhia das Letras

6 comentários:

  1. O amor acaba quando a pele não responde mais aos toques...
    Beijos meus

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  2. Muito profundo esse texto, vou ficar pensando nele por muitos dias.
    O amor acaba quando não há mais admiração, sempre pensei isso.

    Bom final de semana!

    http://www.sabordaletra.blogspot.com/

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  3. Jenifer,

    Sim, é de se refletir esse texto...penso que o amor caminha para dois destinos...ou vai se acabando ao começar....ou aumenta e torna-se cada dia mais forte...cabe aí, a dose do amor de cada um...adorei....parabéns pela postagem!

    Grande beijo!!!

    Reggina Moon

    **Lindo demais seu Blog!!!**

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  4. moça, que delícia trágica essas coisas que essa mulher escreve na Flores Azuis.
    Tão lindo.

    Que gostosura seu blog de layout re-novo.

    Beijos querida,
    beijos!

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