[...] Um grande amor pode existir mesmo sem resposta; o amante suspira na sombra, se acaba de paixão, sem que o objeto de seus sonhos lhe dirija, mais do que um olhar. Mais na vida real o que queremos, para que o amor se complete física e afetivamente, é que o outro também nos ame. E achamos que nosso amor só se transformará realmente num amor absoluto, na medida em que a intensidade do amor do outro for gêmea idêntica da nossa intensidade.
O amor não é mensurável. A duras penas sabemos do nosso próprio amor, quanto mais do outro. O que costumamos fazer para resolver o impasse é medir o amor do outro usando o nosso próprio amor como metro. Ele diz "eu te amo". Nos respondemos "eu também te amo". E deduzimos que as duas coisas são idênticas e que aquele amor, como a vida e a morte, representa um todo, como elas indissolúvel, e, portanto, como elas, absoluto. Está demonstrando o teorema, como se queria.
Um perigoso teorema, na verdade. Porque em cima dele, e da sua inconsistência, começamos a construir justamente aquele castelo que queríamos mais sólido e mais seguro.
E a cada tilojo fazemos um investimento maior para que cresça rumo ao alto e, como a Torre de Babel, nos leve ao céu, nos permita a eternidade, justifique a vida e esconjure a morte.
Marina Colasanti, in: E Por Falar em Amor. Ed. Salamandra
O amor não é mensurável. A duras penas sabemos do nosso próprio amor, quanto mais do outro. O que costumamos fazer para resolver o impasse é medir o amor do outro usando o nosso próprio amor como metro. Ele diz "eu te amo". Nos respondemos "eu também te amo". E deduzimos que as duas coisas são idênticas e que aquele amor, como a vida e a morte, representa um todo, como elas indissolúvel, e, portanto, como elas, absoluto. Está demonstrando o teorema, como se queria.
Um perigoso teorema, na verdade. Porque em cima dele, e da sua inconsistência, começamos a construir justamente aquele castelo que queríamos mais sólido e mais seguro.
E a cada tilojo fazemos um investimento maior para que cresça rumo ao alto e, como a Torre de Babel, nos leve ao céu, nos permita a eternidade, justifique a vida e esconjure a morte.
Marina Colasanti, in: E Por Falar em Amor. Ed. Salamandra
Simples, leve e
ResponderExcluirV
E
R
D
A
DEIRO...
Disse Lacan que "amar é dar o que não se tem a quem não o é", trata-se de oferecer a nossa falta e incompletude ao outro.
ResponderExcluirJenifer,
ResponderExcluirMaravilhoso texto de Marina, para se refletir!!
Um grande beijo e tenha uma ótima semana!!!
Tudo maravilhoso por aqui, como sempre!!!
Reggina Moon
Não assisti o filme, podes me enviar o link?
ResponderExcluirApareça mil vezes no Divã, és uma das convidadas mais queridas ;)
Só postarei menos porque estou de TD - tensão dissertação.
Mil beijos,
Vanessa S M
vim conhecer o teu reino de palavras, e é com felicidade que degusto, a gosto,
ResponderExcluirabraço
Olá!! Sumi mesmo, né?
ResponderExcluirMas cá estou!!
Tava contando as estrelas =)
As vezes a nostalgia bate, ai em vez de costurar a gente contabiliza ^^
Um beijo e obrigada pela visita =*