quarta-feira, 2 de abril de 2014

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by worteinbildern
Na palma de minha mão
cabem os esguichos daquele emaranhado mar
ofegante

esfiam-se cachos de búzios nas bordas
tacteando uma pandemia de linhos a puxarem-se
temperamentalmente
do bico pontiagudo das aves a moer
o céu pálido da boca
amedrontava num arrepio arenoso

embora fosse embarcar nas ocas águas
sem os antepassados existirem
decidi riscar
o fundo que não estava destinado
à visita de grandes visões

e apaguei os declinados olhos migrantes
até esgaçar o ódio que restava
no punho carregado de sal aberto

é notável defesa redescobrir o exílio lânguido
quando se move
uma traça míope antes da sua nascença fétida
donde vejo
redentor sorriso a caber-me

Filipe Marinheiro, in: Silêncios. Ed. Chiado

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