quarta-feira, 12 de março de 2014

Quarto de costura

Minha mãe me ensinou a costurar
meu pai me ensinou a escrever,
escrevo as costuras dela
e costuro as palavras dele.
Costuro na máquina de escrever
escrevo na máquina de costura
cada babado e vírgula,
cada bainha e dois pontos
franzidos ou nervurados.
Minha caixa de linhas é colorida
minha memória é de ponto de sombra,
atrás, cheio de histórias.
Escrevendo costuro cada ponto e desaponto,
costurando escrevo minha roupa
e minha lembrança,
vivendo me lembro das palavras do meu pai
e das mãos da minha mãe.
Sendo sou matiz bordado
no entremeio dos meus pais.

Wania Amarante, in: Quarto de Costura. Ed. Miguilim

Um comentário:

  1. Fazia tempo que não passava por aqui . Mas , chegar é sempre arrebatador .
    Seleção fascinante de poemas .Obrigada . Abraços

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