domingo, 22 de agosto de 2010

da desordem dos recomeços

Magritte
Em nenhuma das costuras que nos remendam ficaremos inteiros: eu, você, você, eu. Hão de se esgarçarem aos impactos, hão de se arrebentarem nas rochas.
Em nenhum dos retoques ficaremos refeitos. Duas cicatrizes de feridas que sempre doerão e continuarão se abrindo pelo ardor de memórias.

Em todos os consertos nos sobrarão rachaduras. Seremos sempre esse desencaixe. Mãos que não se entrelaçam, suores que não colam, pés que não se enroscam. A cara metade deformada pelo tempo e pela tênue linha entre o amor e ódio, filhos da mesma chama: brasas de uma única fogueira, que fagulham juntas mas morrem por ventos de distintas direções. Um contorno mal feito, uma descombinação, um descompasso, uma desproporção.
Uma história sem pé nem cabeça.

Samantha Abreu

6 comentários:

  1. Amar não tem remédio.

    Esta imagem é uma das minhas favoritas. Entre todas.

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  2. As veses temos mania de ir contra as evidencias. Fechando os olhos e ignorando todos os sinais. Então a "linha tênue" se perde no escuro.

    Teca Eickmann

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  3. Jenifer,

    Belo texto e imagem...muito verdadeiro!!

    Um grande beijo e boa semana!!

    Reggina Moon

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  4. Guria,

    meus olhos abriram-se de espanto! Que palavras fortes! Adorei elas! Vou pegar elas pra mim,

    Beijos,

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  5. teu blog é um dos meus preferidos. beijo.

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  6. O recomeço sempre deixa as marcas dos remendos.

    BeijooO*

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