quarta-feira, 20 de abril de 2011

Resíduo

Katarzyna Widmanska
E as palavras eram uma tempestade seca, irrespiráveis; estiagem de caminhos, pedras, troncos, estrada de chão; e eu desdobrava a minha solidão diante dos seus olhos – estes, sim, espelhos d’água.

Os cabelos e as unhas crescem e eu não percebo; não percebo o tempo e as vozes que ecoam olás e tudobens sem acabamento. Um tecido grosso cobre as palavras e os sentimentos - os verdadeiros sentimentos adormecem na rotina e: estou bem, e você? Não, não está tudo bem. E o mundo se choca com o meu corpo coroado de limo; com a minha boca que é só fuligem e estilhaços de carvão. Tudo é negro e o universo não silenciou; o universo, meu amor, sempre esteve em silêncio, vê?

Não sei como explicar a aparente falta de contornos entre os dias: véu negro trocando incessantemente de lugar com essa poça de luz. E o meu corpo acompanhando as mudanças com sorriso e entusiasmo de criança; e farfalhar de lágrimas.

[Mas toda a inquietação termina;

a existência que desabrocha em vida,

quando o seu corpo alimenta o meu coração miúdo de pássaro azul]

Daniela Lima

3 comentários:

  1. Querid@s,

    para quem mora em Salvador - amanhã no teatro Gamboa "As Borboletas", peça inspirada no conto de Caio Fernando Abreu - abordando limites entre a loucura e a sanidade.

    Horário: 20h.
    Ingressos: Inteira - 10,00 / Meia: 5,00


    Só amanhã, viu?!
    Não deixe de ir :)

    Beijo de chocolate em todos vocês!

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  2. Coração miúdo de pássaro azul...Lindo...Beijos meus...

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