sexta-feira, 18 de março de 2011

E além da canção incontida/ do teu amor ausente...

Que boca há de roer tempo? Que rosto
Há de chegar depois do meu?
Quantas vezes
O tule do meu sopro há de pousar
Sobre a brancura fremente do teu dorso?
Quantas vezes dirás: vida, vésper, magma-marinha
E quantas vezes direi: és meu. E as distendidas
Tardes, as largas luas, as madrugadas agônicas
Sem poder tocar-te. Quantas vezes amor
Uma nova vertente há de nascer em ti
E quantas vezes em mim há de morrer.

Hilda Hilst

7 comentários:

  1. sempre vendo coisas lindas por aqui \o/

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  2. Só morre poque sabe ressucitar.
    E ressucita como ninguém.

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  3. Isso foi um presente hoje...Grande abraço.

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  4. Oi, como hoje é Dia do Blogueiro estou passando para desejar super dia para vc que faz parte da blogosfera... Deixei um selinho em comemoração a este dia lá no meu espaço, confira: http://devaneiosfugazes.blogspot.com/2011/03/hoje-20-de-marco-e-o-dia-do-blogueiro.html

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  5. Hilst, poeta que interroga respondendo...
    Meu dorso se arrepia piamente...

    Abraço mineiro,
    Pedro Ramúcio.

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  6. hilda é boa demais, neam? de cortar.

    beijos

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