quinta-feira, 10 de junho de 2010

Fibrilações

Tanto faz
funeral ou festim
tudo é desejo
o que percute em mim.
Ó coração incansável à ressonância das coisas,
amo, te amo, te amo,
assim triste, ó mundo,
ó homem tão belo que me paralisa.
Te amo, te amo.
E uma língua só,
um só ouvido, não absoluto.
Te amo.
Certa erva do campo tem as folhas ásperas
recobertas de pêlos,
te amo, digo desesperada
de que outra palavra venha em meu socorro.
A relva estremece,
o amor para ela é aragem.

Adélia Prado, in: Poesia Reunida. Ed. Siciliano

6 comentários:

  1. Sempre me identifico nos versos da Adélia. Uma perfeição! Um beijo, vizinha!

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  2. A Adélia tem poemas incríveis!
    Esse eu não conhecia.
    Gostei!

    Bjs,
    Carol

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  3. Me fez lembrar de um poema do Rimbaud

    abraço

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  4. As pessoas não se tornam especiais pela maneira de ser ou agir, mas pela profundidade em que atingem nossos sentimentos.
    Bom fim de semana
    bjs

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