sexta-feira, 10 de julho de 2009

Café

Vânia MedeirosDesencarno arábias
de uma xícara morna
de café.
E um fio negro
me assedia a boca.

(Através da janela
o galho de pitanga
ostenta seu adorno
encarnado).

Viajo
pelo negror do pó:
Dar-El-Salam,
Bombaim,
Áden
(sem Nizan, sem Rimbaud):
as colinas ocres,
a poeira dos dias.

De onde vem o grão
dessa saudade?

Desentranho arábias
dessa xícara fria.
Enquanto aguardo o dia
que não chega.

Desacordo e sorvo
a sombra morna
do que sou
na borra
do café.

Everardo Norões, in: Retábulo de Jerônimo Bosch. Ed. 7 Letras

Um comentário:

  1. Camila Modesto14/08/2009 00:37

    Amo café e por incrivel que pareça tenho uma arvore de pitanga no meu quintal que desponta na minha janela! xD

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