quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dedos

Meus dedos têm desertos.
Há areia fina na minha vontade.
Meus dedos são hipótese
como gaiola vazia.
Não têm tato,
só conhecem o tagarelar dos acenos.

Meus dedos demoram a pensar.
Têm memória curta.
Têm a surpresa do estalo,
mas não regulam bem,
cada qual em seu drama:
a polegada de vida medida,
o fura-bolo do desatino,
o maior-de-todos os descompassos,
seu-vizinho do medo de viver
e a vida mindinha que se leva.

Ronaldo Costa Fernandes

Um comentário:

  1. lindo o poema, adorei o jeito que descreve os dedos...

    beijo!

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